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Burmês: um gato cheio de contrastes
Categoria: Dicas

Burmês: um gato cheio de contrastes

19/08/2019


Burmês: um gato cheio de contrastes


Raça está entre as mais populares em rankings internacionais e possui dois padrões, o americano e o europeu.

O Burmês - ou Burmese, em inglês - é um gato de origem oriental. A história da raça começou com a fêmea Wong Mau, que em 1930 foi trazida da Birmânia - país asiático hoje conhecido como Myanmar - aos Estados Unidos, onde foi desenvolvido o padrão americano da raça. Na Europa, porém, houve o desenvolvimento de outro Burmês, de tipo europeu, resultado de uma linha de trabalho diferenciada com grande participação da Grã-Bretanha.

Gerson Alves Pereira, criador de Burmeses e presidente do Clube Brasileiro do Gato (CBG), de São Paulo, explica que a linha europeia, na qual a criação de Burmeses do Brasil se baseia, manteve-se fiel às principais características da raça no desenvolvimento do Burmês, como a cor em tons de sépia (um “desbotamento” da cor). Já a americana é mais aberta a modificações e à introdução de outros elementos e cores. “Dessas duas linhas originaram-se duas raças distintas: o American Burmese e o European Burmese. Elas possuem standard diferente, ou seja, características físicas distintas em cada uma delas. O temperamento também é ligeiramente diferente, uma vez que a introdução de novos genes significa introdução de novo caráter”, explica Gerson. Outras diferenças abrangem a estrutura corporal do felino. Segundo Vanessa Defourny, criadora de Burmeses pelo gatil Maju Cat’s, de São Paulo, o Burmês Americano tem o formato mais arredondado no rosto, na cabeça, nos olhos e nas patas e possui as bochechas mais cheias. “Enquanto o Burmês de padrão europeu apresenta uma aparência mais oriental, um rosto de formato mais triangular, um corpo mais elegante”, compara. Já entre as semelhanças das variações, ela destaca o comportamento dócil e sociável e a baixa vocalização, sendo esta característica um diferencial em relação a outras raças orientais.

Popularidade pelo mundo


A raça foi oficialmente reconhecida pela The International Cat Association (Tica) em 1979, e hoje possui posição de destaque entre os gatos mais populares do mundo. Segundo o Governing Council of the Cat Fancy, do Reino Unido, em 2017 a raça ocupou a 5a posição no ranking de registros, ficando atrás apenas do British Shorthair, Ragdoll, Maine Coon e Siamês. Já no ranking da The Cat Fanciers’ Association (CFA), dos Estados Unidos, em 2017 o Burmês Americano ocupou a 20a posição, enquanto o Burmês Europeu ficou em 35º. Na França, de acordo com dados de 2018 do Livre Officiel des Origines Félines (LOOF), o Burmês Europeu é mais criado e popular que o Americano no país.

Segundo a secretária do conselho da raça Burmês da Fédération Internationale Féline (FIFe), Britta Kjellin, o felino tem tido uma popularidade estável na FIFe por muitos anos. “Ele não é afetado pela popularidade de novas raças. A razão para isso é que os donos de Burmeses são leais à raça e raramente mudam para outra após terem um gato dessa raça em casa”, comenta. Para exemplificar a popularidade dos Burmeses no exterior, Britta cita o levantamento do Sverak, membro sueco da FIFe. Segundo ele, a média de registros de exemplares foi de 200 por ano na Suécia na última década. Além disso, os Burmeses ocuparam o 14o lugar em popularidade no país no último ano, entre as demais raças felinas. “Conquistaram o 7º lugar entre as de pelo curto ou sem pelo, e 3o lugar em sua categoria de raça”, completa Britta.

Gerson aponta que o Burmês Europeu é uma das raças de pelo curto mais populares na Europa, sendo muito encontrado em exposições. “Ele é mais popular nos países escandinavos e do leste europeu. É uma raça muito saudável, forte, com pelagem atraente e dona de um temperamento especialmente social, que facilita sua popularidade”, afirma, destacando que o felino também é muito apreciado na Inglaterra, onde há clubes exclusivos da raça. “Porém, a barreira sanitária existente nesse país, por tratar-se de uma ilha, não facilita a integração desses gatos com o resto da Europa”, pontua.

No Brasil, de acordo com Vanessa, ainda não há muitos exemplares. “Porém, depois que as pessoas têm o primeiro filhote, querem o segundo. Se apaixonam pela raça”, enfatiza.

Para Britta, o Burmês é especial de muitas formas, mas se destaca por sua sociabilidade. “Eles vão conversar e discutir com você. Fora o exclusivo casaco de seda - sem necessidade de manutenção - e os olhos amarelos brilhantes”, ressalta.

Desafios da criação

Todas as raças exigem dedicação para que haja uma boa criação, e com o Burmês não é diferente. “O grande desafio é a obtenção de espécies com alta qualidade de padrão e saúde, através do controle de suas características e da obrigatoriedade de exames genéticos para que apenas indivíduos saudáveis sejam utilizados na criação”, afirma Gerson.

Vanessa destaca também o desafio da divulgação, já que no Brasil a raça ainda não é muito conhecida. “É uma raça incrível de se criar, tem a pelagem curta e supersedosa. O cuidado é diário, assim como com qualquer animal, e envolve limpeza de ouvidos, corte de unhas e banho uma vez por mês”, diz a criadora.

Burmês, um oriental único


De origem oriental, o Burmês é um gato repleto de características que encantam amantes de felinos no mundo todo. Sua aparência diferenciada é fruto de um gene que fornece marcação ponteada. Segundo o criador Gerson Alves Pereira, foi a raça que originou esse gene, que atribui a ela uma marcação ponteada mais suave que o fator siamese (que dá a coloração do gato Siamês). “O Burmês possui cor mais intensa nas pontas sem um grande contraste com o corpo, e seus olhos possuem uma coloração dourada/esverdeada que varia um pouco de intensidade dependendo da coloração da pelagem. Apenas dez variedades de pelagem são possíveis: brown (black), chocolate, azul (cinza), lilás, vermelho, creme, black tortie, chocolat tortie, blue tortie e lilac tortie”, descreve, acrescentando que os gatos são de pequeno a médio porte e possuem estrutura robusta, com musculatura definida.

De acordo com a criadora Vanessa Defourny, nenhuma das cores é rara, porém o Burmese azul é difícil de ser criado para o padrão show, já que a coloração pode escurecer e o pelo pode ficar alto. “Todas as cores são criadas, depende do gosto do criador”, comenta. Nas orelhas, na cabeça, na cauda e nas patas, a cor do Burmês também é mais forte e, segundo Vanessa, fica mais intensa conforme o felino envelhece.

Outro destaque dos Burmeses fica por conta de sua expressão facial. “Possuem uma curiosa expressão de mau humor que contrasta com seu temperamento extremamente dócil e sociável”, finaliza Gerson.